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SOMOS PRISIONEIROS DO INCONSCIENTE. E DA INCONSCIÊNCIA
Wagner Ribeiro

O homem habitou cavernas, que lhe davam abrigo e segurança; mas convivia com seus fantasmas. Abandonou-as. Abandonou-as/ A verdade é que nunca conseguiu libertar-se por inteiro do atro nem do antro, em que terá conhecido o labirinto. Labirínticas cavernas tenebrosas – ali nasce e vive a angústia humana, agitando forças que nos ditam os passos.

Os antigos já tentavam ensinar, em simbólica linguagem, como penetrar esses tétricos sítios, como devassar-lhes as trevas, como vencer os monstros que neles têm morada; e como retornar sobre os próprios passos à superfície luminosa. Por sabermos, porém, que as bestas são filhas de nós mesmos, retardamos o momento de enfrentá-las; e lhe vamos dando repasto.

A arte de Bené Santana fala-nos de tapumes que escondem ao olhar humano a gestação de altos muros de concreto que nos vão roubando fatias de horizontes. E o cerco se vai fechando. E a cidade há de tornar-se uma gigantesca caverna, com dédalos inescapáveis, onde deparamos a multidão dos fantasmas alimentados por nossas culpas. Restará uma nesga do céu sobre nossas cabeças. Mas há uma espessa névoa que nos enceguece; são frágeis nossas asas; e adormeceram em nós os sonhos de altos vôos. Perambulamos pela cidade, deslembrados de nós mesmo e do mundo. As bestas que habitam nosso inconsciente apagaram a chama sagrada de nossa lucidez, fizeram-nos inconscientes.

E, em nosso delírio, pensamos ser livres. Pior do que a falta de liberdade é a ilusão de ser livre: daquele se pode esperar que faça florescer umas busca; essa nos acomoda e entorpece.

Somos prisioneiros do inconsciente. E da inconsciência.

Wagner Ribeiro

FONTE: Catálogo Prisioneiros do Insconsciente - Ultima Atualização: 28/12/2010

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