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FLORIVAL SANTOS
Silvane Santos Azevedo

O COMEÇO DE TUDO


O início do século XX foi um período de intensas transformações. Havia pouco tempo de instauração da República no país, e o apregoamento da democracia era a grande bandeira da gestão vigente. Não obstante a expectativa de avanços, o Estado de Sergipe absorveu lentamente os seus ideais.
Nessa perspectivas de progresso, o município de Propriá, situado as margens do Rio São Francisco, apresentava uma economia norteada pelo cultivo principalmente do arroz, algodão e pesca, evidenciando uma forte relação com o “Velho Chico. Corroborando com essa premissa, comenta ARAGÃO, (2002 ,p.22).

“O arroz produzido no município de Propriá e vasta região do baixo São Francisco sergipano, favoreceu o surgimento, [...], de muitas indústrias de beneficiamento, tornando o município o maior produtor de arroz do Estado de Sergipe, e a cidade de Propriá o grande centro de beneficiamento e comercialização do produto de toda a região”

Dentro deste universo de desenvolvimento da cidade, nasceu em 16 de outubro de 1907, Florival Dozzia dos Santos. Fruto do casamento de Vercelina Alves dos Santos e Pedro Dozzia dos Santos. Seu pai foi um comerciante ativo, proprietário de algumas padarias e herdeiro de plantações de arroz. Já sua esposa Vercelina, assumia um papel doméstico, responsabilizando-se do cuidado dos filhos e das tarefas da casa. Dividindo-se os papéis prosseguia a família, visto que quando Florival nasceu seus pais já haviam tido três outras filhas, a primogênita Magnólia e posteriormente Laudicéia e Maria José.

Florival cresceu na cidade ribeirinha do São Francisco, estudando e dando os seus primeiros passos no caminho da arte. Estudou as primeiras letras na Escola “Coração de Jesus”, o ensino primário na Escola Gumercindo Batista e o ensino secundário co Colégio Neumizio de Aquino. Propriá nessa época possuía o Cinema Rio Branco, do qual Florival era assíduo freqüentador. A arte em movimento fascinava o garoto, levando até mesmo a registrar como o seu primeiro trabalho artístico o retrato do cowboy Buck Jones, personagem protagonista de diversos filmes americanos. Desde então rabiscava com carvão e giz as calçadas por onde transitava.
Em 1920 nasceu o filho caçula da família Santos, o então futuro companheiro de Florival, Álvaro Santos. A família foi crescendo e as dificuldades também, Propriá apesar do progresso não comportava os almejos que Vercelina e Pedro Dozzia tinham para os filhos. O desejo de morar na capital do Estado era uma vontade quase que geral de todos os que viviam no interior. Aracaju, nesse período passava por um crescente processo de urbanização, “A cidade inóspita do fim do século passado passou a ser atrativa. Os pântanos foram substituídos por bonitas praças. As condições sanitárias evoluíam. Na terceira década a capital foi se impondo como opção de morada”. (Ibarê Dantas, p. 55).
Em meados de 1927 a família Santos resolveu transferir-se para a capital. Vieram Pedro Dozzia, Vercelina, Álvaro e Florival, Maria José já casada manteve-se em Propriá.
Quando chegaram à Aracaju, residiram inicialmente em um pequeno sítio, o qual localizava-se na rua Campos, nº 499. Florival passou então a profissionalizar-se. Fez o curso de datilografia do Sr. Ximenes, recebendo diploma, ressaltando-se que seria este o único diploma de formação de Florival, pois nunca formou-se em algum curso de nível superior. Trabalhou na Companhia da Estrada de Ferro da cidade de Aracaju, utilizando os seus conhecimentos de datilógrafo.
Em 1929, viajou para o Rio de Janeiro, ingressando na Escola de Sargento do Exército, localizada na Vila militar, aproveitando este período para visitar a Escola Nacional de Belas Artes. Sendo breve a sua estadia, posteriormente trabalhou no comércio, retornando em 1931 para Aracaju a pedido de seus pais. Dois anos após o seu retorno, realiza a sua primeira exposição.

A INDIVIDUAL DE 1933

Após preparar-se para expôs sua arte, Florival finalmente apresenta seus trabalhos na Associação Comercial de Sergipe, inaugurada em outubro de 1933, contando com apresentação do escritor Lincoln de Souza, tendo como paraninfo Maria Galvão.
Nesta época já expõe retratos de personalidades do meio político e social sergipano, destacando os trabalhos a crayon da “Miss Sergipe 1930” Maria Galvão, e do Dr. Gracco Cardoso. A exposição reuniu além desses trabalhos mais cinqüenta e oito obras realizadas sob as técnicas de pintura, algumas paisagens pintadas a óleo, nanquim e crayon, entre os quais estavam os quadros de Autran Azevedo, do Dr. João Maynard e Srta. Lourdes de Lima.
Florival que também era conhecido como “americano”, por seus trajes, foi revelado em meio aos elogios postos nos jornais da época. A exemplo da nota “Um artista do lápis” , a qual anunciava as expectaivas de sua primeira exposição:

“Sergipe é assim uma terra expontânea. Os valores surgem a cada momento no seio da massa anonyma de seus filhos, apparecendo-no a cada rua, a cada esquina. Pesa-se até não ser verdade quando se diz que certo moço é portator de predicados taes que o levarão um dia a imortalidade. [...] E, finalmente o Americano do nosso convívio, vae expor os seus trabalhos que sobem a cerca de sessenta, [...] feito com grande esmero e com desmedido carinho. E’ esse artista sergipano que em breve será admirado pelos seus conterrâneos, naturalmente merecendo os aplausos dos entendidos da arte.”

Nos anos seguintes, em 1934 e 1935 realiza exposições coletivas exibindo retratos e trabalhos em pastel e nanquim. Em 1936 executa uma pintura a óleo “Paisagem de Atalaia” encomendada pelo Prefeito de Aracaju Godofredo para presentear o prefeito de Alagoas que veio como convidado especial para a abertura do então “Jogos de Verão” da capital.

O ENCONTRO COM CONCITA

Conquistando a sociedade e os meios culturais de Sergipe, passa cada vez mais a desenvolver seus trabalhos artísticos. E dentro desta efevercência pictórica, Florival toma uma decisão a qual marcará significativamente a sua carreira como homem e artista. Foi quando em 1938 decidiu-se casar com Concita Ferraz Alvarez Santos (1912-1995), descendente da família aristocrática sergipana, os Ferraz. E neste momento Florival passa a morar na Rua Duque de Caxias, onde construiu o seu atelier. Dois anos após, cresce a família com a chegada da única filha do casal, Marlene (1940-), cuja tornou-se uma grande companheira do artista. Marlene foi retratada por seu pai em caráter de modelo vivo em dois momentos de sua vida: aos 6 anos e aos 14 anos de idade

MODERNISMO TARDIO

As décadas de 40 e 50 em Sergipe foram um período da inserção do modernismo no Estado. Metrópoles brasileiras como Rio de Janeiro e São Paulo no início do século também estavam distante de toda a revolução artística que acontecia na Europa, segundo BATISTA “Em meados de 1916 [...] continuávamos em plena pintura “cópia da natureza”, baseada em fórmulas gastas e repetidas, uma arte acadêmica estereotipada, com produção nem mesmo abundante ou contestada. Pairava uma sensação de perenidade, de imobilidade na criação. ” O Rio de Janeiro destacava-se pela Escola Nacional de Belas Artes, o Museu Nacional de Belas Artes, e os trabalhos expostos mantinham-se ainda atrelados a uma representação realista e fiel do modelo. Porém São Paulo presenciava um período de inquietação, e em 1917 anunciava a Exposição de Pintura Moderna Anitta Malfatti da qual essa pintora paulista traz ao país, “a mostra que iria ser o marco inicial da arte moderna no Brasil”. Fato significante para o terreno de preparação para a Semana de Arte Moderna de 1922. Evento este que mobilizou literários, músicos, artistas plásticos para a solidificação do modernismo no país. A partir deste movimento uma geração de artistas vai assimilando as novas estéticas, desencadeando produções modernas por todo o Brasil.
Sergipe, neste contexto, esteve muitas vezes em dissonância com as manifestações artísticas modernistas, possivelmente devido à fragmentação de informações vindas dos centros culturais do sudeste do Brasil, mais especificamente, do eixo Rio – São Paulo e a ausência de uma Escola de Belas Artes. Muitos pintores migravam para outros estados em busca de um ensino acadêmico e/ou melhores reconhecimentos para o seu trabalho, a exemplo de: Óseas Santos (1896-1949), Jordão de Oliveira, José de Dome e Jenner Augusto. Somente dessa geração de artistas das primeiras décadas do século XX, permaneceram no estado: J. Inácio (1911-), Álvaro Santos e Florival Santos.


OS IRMÃOS SANTOS

Florival realiza uma exposição no “Recreio Clube de Aracaju” da qual destaca-se por apresentar conjuntamente a primeira individual do seu irmão Álvaro Santos. A mostra foi inaugurada em 15 de agosto de 1941, para jornalistas e convidados e numa noite de domingo, às 20h, a exposição foi aberta a todo público.
Foi nesse momento, que Álvaro afirmou-se como artista plástico e, a partir de então, todos passaram a conhecer a brilhante dupla Irmãos Santos. “Eu expus no Recreio Clube e foi então quando eu [o] apresentei. E então formou-se a dupla Irmãos Santos. É quando denominado aqui, [pela] imprensa: Dupla Irmãos Santos”. (informação verbal). Assim pode ser constatada na nota do jornal Folha da Manhã de 20 de agosto de 1941:
“[...] está inaugurada a exposição de pintura dos “Irmãos Santos”, no salão nobre do Recreio Clube. Visitei-a, ontem e, apreciei todos os quadros, um por um. Tive mais uma vez o orgulho santo de ter nascido na terra pequenina de Sergipe.[...]”

Nesta exposição Florival apresenta vários trabalhos, dos quais dois merecem destaque. Um foi “Matutando”, no qual retrata a figura de um homem, o qual seu amigo Pedro Teles posou para a feitura da obra, numa cena em que o personagem está sentado, de cabeça baixa, com uma vareta de pau, com indicações de estar pensando em algo, representado em forte semelhança compositiva da obra de Almeida Junior, “Caipira picando fumo” (1893). O outro com mais rigor e preocupações estéticas acadêmicas se encontra o retrato do presidente vigente da época, Getúlio Vargas. Obra esta que lhe angariou vários elogios.
A exposição foi encerrada no dia 24 de agosto, possuindo uma significante visitação, como bem descreve o Diário Oficial: “[...] Durante o período em que o salão de festa do “Recreio Clube” esteve aberto à visitação pública, registrou a referida exposição a presença de mais de um milhar de pessôas ou sejam cerca de duzentos visitantes por dia, acontecimento até hoje nunca visto entre nós em casos tais.”
No ano seguinte, a pedido do Interventor Maynard Gomes, executou juntamente com Álvaro, o quadro Torpedeamento, para ser ofertado ao Presidente Getúlio Vargas. O trabalho retratava o torpedeamento dos navios brasileiros nas costas sergipanas. No Rio de Janeiro o referido quadro foi publicado na revista Vida Doméstica como de autoria dos Irmãos Santos, cuja pintura possui a assinatura dos dois artistas.
Florival, apesar de aderir a estéticas modernas, vai constituindo uma polarização em seus trabalhos, visto que os norteia concomitantemente em dois gêneros pictóricos distintos. Desde a sua primeira exposição em 1933 percebe-se a presença marcante dos retratos, ocupando espaços conjuntamente com paisagens e figuras de gêneros, aplicados com forte iluminação e um tratamento mais despojado.
Em 1946 pinta “A Xangozeira” uma de suas grandes obras de teor moderno. Esta obra apresenta um desenho estilizado e vigoroso, de caráter expressionista, no qual a personagem aparece em estado de transe, direcionando-se ao observador com os olhos fechados, com grandes mãos em movimentos dançantes.
Concomitantemente a essa produção Florival inicia uma série de retratos dos presidentes que passaram pelo Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Todos estes representados sob uma estética acadêmica.
Foram muitos os retratos que Florival executou, valendo-se de inspiração nos moldes acadêmicos, sendo freqüentemente realizados sob o recurso fotográfico ou ainda, de forma menos expressiva, feitos ao natural, como anteriormente exemplificado com os retratos de sua filha. Seu trabalho como retratista visou quase sempre, com raras exceções, privilegiar o tratamento do rosto, utilizando um fundo neutro, a fim de favorecer o semblante do retratado.


PARTIDA PARA SÃO PAULO: O RETRATO DO CARDEAL CARMELO MOTA

Em 1945 aconteceu o I Congresso Eucarístico de Sergipe, sediado em Aracaju. Esse evento trouxe à cidade, inúmeros representantes da igreja católica, ressaltando a presença do arcebispo de São Paulo, Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta. Nesta ocasião o cardeal visitou várias instituições locais, dentre elas o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, onde presenciou o retrato de Dom José Thomaz Gomes da Silva (1º bispo de Aracaju) que se encontrava exposto no auditório. Admirado com tamanha semelhança e destreza técnica, pôs a manifestar sua vontade de ser retratado pelo mesmo artista.
Florival mantêm-se determinado em realizar o retrato e passa a executá-lo por conta própria, através de fotografias. É, sem sombra de dúvida, uma das pinturas mais significantes na produção do artista, tanto pela valiosa documentação sobre a história da sua execução quanto pela rica definição técnica.
Este retrato rendeu a Florival o motivo da viagem a São Paulo. Acreditando na sua venda, Florival viaja por meio de ajuda do então governador do Estado de Sergipe, Arnaldo Rollemberg Garcez (1911-). Além do retrato, Florival levou outros quadros seus e o do seu irmão Álvaro, com motivos de paisagem, xangô, marinhas e cenas do rio São Francisco.
Florival chegou a São Paulo no mês de julho, hospedando-se na Rua Bom Pastor, 1085, bairro Ipiranga, na casa do escultor paulista Alfredo Oliani . Este recepcionou Florival de tal forma, que cedeu-lhe um espaço, para que montasse o seu ateliê. Foi neste ambiente que criou, desenvolveu e divulgou o seu trabalho durante quatro meses de estadia na cidade.




Os primeiros dias foram promissores, neles Florival visitou museus e galerias, conheceu outros artistas, foi a bares e exposições. Enfim, uma série de fatos que o levou a se entusiasmar com a possibilidade de estar em um dos mais significativos centros culturais do país.
Não obstante o seu entusiasmo, o tempo passou e o objetivo que era a venda dos quadros não se concretizou, e a estadia em São Paulo começou a apresentar suas dificuldades. O dinheiro se esvaía e os custos aumentavam com o passar do tempo. Além de se sustentar com alimentação, deslocamento, compra de materiais para pintura, havia ainda a preocupação de enviar algum dinheiro para a família em Aracaju. A venda do retrato tornava-se a sua esperança de uma melhoria no orçamento, e esse impasse o angustiava.
Após três meses de sua chegada a São Paulo, finalmente, o retrato do cardeal é apresentado ao público e ao seu retratado. A tela foi exposta na Biblioteca Municipal por volta da segunda quinzena de setembro, sendo prestigiado por um dos mais significativos críticos de arte do país, Sérgio Milliet (1898-1966) e por diversas autoridades.

[...]Fiz grande sucesso, como talvez, nenhum artista provinciano houvesse conseguido, em uma cidade de tão grande movimento artístico como a cidade de São Paulo.
Porém é interessante frizar [sic], que o sucesso por mim alcançado, foi apenas Moral. Porque o sucesso material, até então nada. [...]

Não obstante a exposição da pintura, a venda do retrato só foi de fato efetivada no mês seguinte, quando o Jockey Club de São Paulo passou a negociá-la com Florival. O quadro foi comprado pelo hipódromo e presenteado ao clero episcopal desta cidade.
Após a venda do retrato, Florival voltou à Aracaju, entusiasmado pelo sucesso que obteve na grande metrópole do país, auferindo cada vez mais notoriedade nos meios políticos, sociais e culturais de Sergipe.

BRASÃO DA CAPITAL

Em função da comemoração do primeiro centenário do município de Aracaju, o prefeito Jorge Campos Maynard estabeleceu concurso público para confecção do Brasão da capital. Em 27 de dezembro de 1955, a comissão julgadora, composta por diversas autoridades da época, apreciou por unanimidade, vencedor do concurso o artista plástico Florival Santos.

A DÉCADA DE 60

O início da década de 60 foi um período muito difícil para Florival. No ano de 1962 morreu seu pai, Pedro Dozzia dos Santos e após um ano, faleceu seu irmão e companheiro nas artes, Álvaro Santos e com apenas um mês depois, viera também a falecer sua mãe, Dona Verselina, acometida, de um edema pulmonar. Ainda assim, neste mesmo período Florival realizou duas exposições individuais: uma em Salvador e outra em Brasília.
Em 1965 expôs na cidade de Salvador, onde residia o seu amigo e também artista plástico Jenner Augusto. Nesta mostra vendeu todos os quadros e também foi elogiado por seu sucesso artístico pelo governador da Bahia, Lomanto Junior e pelo General João Costa e por Carlos Lacerda, Governador do Estado da Guanabara, que o convidou para expor no Rio de Janeiro, fato que não se concretizou.






CASA THOMAS JEFFERSON

Por meio de patrocínio do Governo do estado de Sergipe, contando ainda com o apoio do Serviço de Divulgação e Relações Culturais dos Estados Unidos (USIS), Florival vai a Brasília em 1968 expor no salão de artes da Casa Thomas Jefferson.

[...]A apresentação no salão de exposição da Casa Thomas Jefferson, sob o patrocínio do Governador do estado de Sergipe dos últimos trabalhos do pintor Florival Santos, veio abrir um ciclo de realização de mostras de arte que tendo por finalidade e revelação entre nós de valores da pintura contemporânea do nordeste, permitem, outrossim, que seja feito na capital da república um confronto dos atuais movimentos artísticos nas diferentes situações regionais [...]. 29

Nesta mostra o pintor sergipano apresentou 40 telas e dentre elas dois retratos de sua filha Marlene, os quais foram expostos como acervo do artista. Os demais quadros apresentavam motivos de cenas da cidade de Aracaju, plantadores de arroz, porto de Propriá e pescadores. A maioria destas obras foi vendida. Uma delas em especial ao então vice-presidente do Brasil Pedro Aleixo, intitulada “Porto de Propriá”. Nesta mesma ocasião, Pedro Aleixo convidou-o para uma visita a cidade de Ouro Preto em Minas Gerais, oferecendo casa de sua propriedade onde antes residiu o pintor mineiro Guinard (1896-1962)30 , porém Florival recusou o convite.
Na década de 70, recebeu a medalha de honra ao mérito Inácio Joaquim Barbosa, e também participou do primeiro Salão Atalaia de pintura. Já na década seguinte ele foi homenageado com a fundação da Galeria de Arte Florival Santos, pela Universidade Federal de Sergipe.

ÚLTIMOS TEMPOS

Mesmo aos seus quase oitenta anos, não parou de pintar. Manteve-se até o início da década de 80 com vigor, talvez por sua forma física, adquirida pela prática do remo e da natação ao longo dos anos.
Por essa época o artista já havia recebido diversos prêmios em seu Estado, participado de Salões de Arte no Rio de Janeiro e no Recife, possuía pinturas no Museu Histórico de Sergipe, no Museu do Vaticano e em diversas instituições e coleções particulares por todo o país e exterior.
Os retratos permaneciam constantes em seu ateliê, norteados principalmente por encomendas. No entanto muitos desses ficaram inacabados devido à debilitação da sua saúde por volta de 1988, conseqüência de uma trombose que o levou à cadeira de rodas, dificultando o seu acesso ao ateliê e reduzindo a sua coordenação motora. Após a sua enfermidade, até os últimos anos de vida, Florival não mais desenhou ou pintou. Gradativamente sua saúde se tornava mais frágil, somada à morte de sua esposa em 1996, ausência marcante nos seus tempos finais, vindo a falecer em 26 de setembro de 1999, em sua residência.

O LEGADO DE FLORIVAL TRADUZIDO EM AÇÕES

Galeria Florival Santos

Em 1986, foi homenageado com a criação da galeria que leva o seu nome, pela Universidade Federal de Sergipe, na gestão do reitor Eduardo Antônio Conde Garcia e do vice-reitor, o professor Clodoaldo Alencar, localizada no Centro de Cultura e Arte/CULTART.
A Galeria Florival Santos foi inaugurada no dia 11 de julho deste mesmo ano, com uma exposição coletiva a qual, além de Florival, participaram diversos artistas, como: Abelardo Soares, Adauto Machado, Anete Sobral, Bené Santana, Bosco Rollemberg, Caã, Cláudio Vieira, Dama, Dionéa Patterson, Eliane, Elias, Eunice Dantas, Eurico Luiz, Evilázio, Felizola, Franco, Jorge Luiz, Jorge Maia, José Fernandes, J. Inácio, Joubert, Lino da Costa, Marinho Neto, Melcíades, Pythiu, Rina, Silveira, Vesta, Wanderley e Wellington.
Apesar desta Galeria ter como patrono Florival Santos, este não possui em seu acervo pictórico, nenhuma obra de autoria do artista.

Centro turístico de Cultura e Arte “Florival Santos”

Na cidade onde Florival nasceu, existe apenas o registro de seu nome no Centro Turístico de Cultura e Arte “Florival Santos”, homenageado pela Prefeitura do município. Este espaço foi inaugurado no dia 1º de abril de 2005, visando apenas promover a venda dos produtos fabricados pelos artistas e artesãos desta região, que possuem através de cadastro, autorização para expor seus trabalhos neste local. Apesar de Florival ter representado Propriá na maioria de suas obras, este Centro Turístico não possui a função de divulgar o papel do artista nessa cidade, visto que o espaço não faz nenhuma menção sobre ele, além da denominação do ambiente.

Projeto “Mestre Florival Santos de Artes Visuais”

Além destes locais, foi criado em 1996, pelo também artista plástico Elias Santos, o Projeto Mestre Florival Santos homenageando o artista, ainda em vida, dando o seu nome ao projeto, o qual vem desenvolvendo oficinas nas mais diversas linguagens das artes visuais, atendendo a uma clientela formada por crianças, jovens e adultos de todas as comunidades, com o objetivo de promover no Estado, o estímulo aos novos artistas de forma significativa, difundindo a prática do desenho e da pintura, contribuindo para o enriquecimento e perpetuação da memória do artista.

Projeto Centenário Florival Santos

O projeto CENTENÁRIO FLORIVAL SANTOS é uma iniciativa da família do artista, representada pela filha, Marlene Santos e pelo genro Gilson Rezende Santos, como também da arte-educadora Silvane Santos Azevedo e do artista visual Elias Santos que visam homenagear e preservar a memória do ilustre pintor sergipano, Florival Santos, em época do seu centenário de nascimento (1907-2007).
Desde outubro de 2007 foram articulados vários contatos para realizar uma programação comemorativa deste Centenário. Foram envolvidas instituições como a Sociedade Semear, o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, Correios, Espaço Cultural Norcon, Galeria Zé de Dome, Prefeitura de Propriá e a Secretaria de Estado da Cultura, no intuito de promover um ciclo de ações tais como: exposições, palestras e publicações como esta, a qual assume o papel de estreitar o acesso ao conhecimento sobre esse importante artista para toda a sociedade, perpetuando o seu legado na arte sergipana.

FONTE: Catálogo - Ultima Atualização: 28/12/2010

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