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MODERNIDADE. MODERNIDADE TARDIA. PÓS-MODERNIDADE. CONTEMPORANEIDADE.
Lilian Cristina Monteiro França

MODERNIDADE. MODERNIDADE TARDIA. PÓS-MODERNIDADE. CONTEMPORANEIDADE. Das vanguardas históricas da arte, dos ismos, movimentos mais ou menos coesos, ao abismo escuro e desconhecido dos signos contemporâneos. Um abismo que carrega em seu vórtice o caos, o erro, o imprevisto, o grandioso “nãosei”. Obra, suporte, perda da aura, supressão do suporte, reprodutibilidade técnica, mãos/mouse interagindo em produções coletivas pulverizadas em nuvens computacionais. Tão reais quanto virtuais. Gargantas bradam a ubiqüidade da rede enquanto a Wired estampa em sua capa laranja fluorescente “The Web is Dead”. Assim, sem exclamação. A vida e a morte se rivalizam mais ou menos dialeticamente entre cabeças perdidas, cortadas, espalhadas pelo chão, desconexas, autônomas, que caem de joelhos diante de signos religiosos ou afogam-se em mares de conceitos. Cabeças de uma hydra. Cabeças de medusa num deserto de certezas. A face da contemporaneidade é a face do espelho, do espelho/portal das Alices e seus chapeleiros loucos, aturdidos pelo mercúrio e toda a sorte de metais pesados. Alices seguidas por cartas de um baralho que se joga no limite das probabilidades. Copas, Paus, Ouros e espadas lançadas em passos perplexos perdidos nas texturas cotidianas. O tempo da contemporaneidade é o tempo dentro do tempo. O tempo relativo de Einstein, o tempo demoníaco de Maxwell, o time-space compression de Harvey. O tempo do gato preso na caixa de Schrödinger. Ninguém sabe ao certo o que de lá vai sair. Ninguém. O corpo da arte contemporânea ora imaterial ora carne crua é um corpo simulacro, mutifacetado, cujos órgãos mesclam-se, confundem-se, trocam de funções, circulam venosamente nos cabos de fibra ótica e plasmam-se em telas, telas, telas. A dimensão da arte contemporânea oscila entre o micro, quase invisível e o macro, quase visível, oscila entre a cultura popular e a erudita, entre a cultura de massa, a cultura das mídias e a cibercultura, como numa grande rede costurada por uma máquina carregada nas costas por quilômetros a fio, bordando sem a precisão conventual os mais diferentes suportes. Sintaxe híbrida de cones, raios laser, histórias em quadrinhos, programas infantis, redes sociais, registros fotográficos do lúdico, do documental, do exótico, do duplo, a arte contemporânea multiplica-se exponencialmente criando linguagens cujo lugar só faz sentido em função de um momento determinado, de uma circunstância, de um contexto, de um ponto de vista, de um modo de olhar, de um modo de ver. “Ver com olhos livres”, Oswald de Andrade apud Cristina Mantovani.

Lilian Cristina Monteiro França
UFS/abca/AICA

FONTE: catálogo do Salão Semear de Arte Contemporânea - Ultima Atualização: 31/12/2010

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