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O REI E A PRINCESINHA
Carlos Roberto Britto Aragão

Às margens do Velho Chico, nasceu a mais bela de todas as cidades ribeirinhas, a princesinha do São Francisco, a minha Propriá. A cidade declamada em versos e prosas pelos seus filhos passa a ser conhecida nacionalmente quando o Rei do Baião, em parceria com Guido de Morais, a toma como fonte de inspiração e compõe uma das suas mais conhecidas canções, o baião PROPRIÁ, destacada no livro “O Rei e o Baião”, de Bené Fonteles, cujo um dos trechos afirma:

Por isso
Eu vou voltar pra lá
Não Posso mais ficar
Rosinha ficou lá em Propriá
Eu tenho que voltar
Minha vida tá todinha em Propriá

As ligações de Luiz Gonzaga com Propriá não estavam apenas vinculadas a essa verdadeira declaração de amor traduzida nessa bela canção. O Rei do Baião manteve por muitos anos uma relação de grande afeto com Pedro de Medeiros Chaves ou, como ele gostava de chamar/cantar, o Coronel Pedro do Norte, ou o Coronel do Bigodão. Entre outras composições em homenagem ao seu amigo, Luiz Gonzaga compôs o FORRÓ DE PEDRO CHAVES:

Quando há festa na casa do Pedro,
O comércio fecha em Propriá.
Tem zabumba, esquenta-muié,
E a gente dança sem parar.
Quando há festa na casa do Pedro,
Meu compadre veja como é,
Você dança com a muié dos outros,
E eu danço com sua muié.

Trago nas minhas memórias de criança algumas lembranças das andanças de Luiz Gonzaga pelo meu torrão natal. Algumas delas contadas pelos meus pais e tios, onde relatavam as suas frequentes visitas a Fazenda Cabo Verde (também imortalizada por Luiz Gonzaga em suas canções), onde junto com outros artistas – a exemplo de Marinês, Clemilda e Gerson Filho –, faziam intermináveis rodas de forró e baião, seus espetáculos nas praças e cinemas e dos seus passeios pelas ruas e feira/comércio de Propriá. Lembro-me ainda, quando mais jovens, em companhia dos meus primos e netos de Pedro Chaves, em diversas cavalgadas ou viagens de lanche que fazíamos em direção à fazenda de Sr. Pedro, das intermináveis e prazerosas histórias contadas, entre uma e outra rodada do jogo de damas, da sua amizade com Luiz Gonzaga e o verdadeiro carinho que o Rei do Baião tinha por Propriá.

Os laços de amizade e carinho estabelecidos por Luiz Gonzaga, Propriá e sua gente foram literalmente concretizados em 1955, quando o então prefeito e amigo Pedro Chaves construiu uma praça e, com muito afeto a batizou com o nome de “Luiz Gonzaga”. Como convidado especial na festa de inauguração, aquele que até hoje e espero que para sempre, será exaltado como o maior representante e embaixador do povo nordestino, o Rei do Baião, o nosso Luiz Gonzaga.

Carlos Roberto Britto Aragão
Diretor Presidente da Sociedade Semear

*Esse texto está publicado no cartólogo “Bom dia Gonzagão – Xilogravuras Elias Santos”, organizado por Silvane Santos Azevedo, 2012.

Ultima Atualização: 24/01/2013

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