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VOLTANDO À ALDEIA
Cezar Britto


Esta semana Carlinhos Britto Aragão, atual presidente da Sociedade Semear, empolgado como sempre, contou-me os últimos detalhes do projeto “Velho Chico: uma lição de vida”, que pretende transformar a população do baixo São Francisco. Vibrava enquanto dizia que seriam ofertadas mil quinhentos e oitenta capacitações para alunos de escola pública, professores, líderes comunitários, conselheiros e políticos da região, indepentemente das simpatias e vinculações partidárias. Deleitava-se em alegria quando acresceu que a antiga Escola Técnica do Comércio está sendo reaparelhada e restaurada para abrigar o projeto, tranformando-se um grande centro aglutinador de idéias e pessoas, atraindo novos projetos e novas iniciativas culturais.
E não era para menos a empolgação, pois o projeto tem como preocupação capacitar as pessoas para que tenham condições de se libertar do assistencialismo governamental, estimulando-as a tomar decisões embasadas no conhecimento da realidade da sua área pessoal e da sua comunidade. Espera, com ele, contribuir com o desenvolvimento econômico e social da região, estimulando o crescimento da qualidade de vida e do meio ambiente. Não sem razão foram escolhidos cursos de forma abrangente, reconhecendo-se a pluralidade da própria sociedade, a exemplo dos seguintes: Informática, Corte e Costura, Música, Capoeira, Dança, Artes Dramáticas, Canto Coral, Desenvolvimento, Meio Ambiente e Cidadania, Economia, Política e Desenvolvimento, Cooperativismo, Formação e Administração, Pedreiro, Farmácia Viva, Bombeiro Hidráulico, Silk Screen e Reciclagem.
Na sua correta empolgação, esqueceu da perigrinação que fez entre várias entidades solicitando parceria, algumas delas respondidas com o frio silêncio da indiferença social, outras com o ruidoso ressentimento da irracional disputa eleitoral, várias com o sorriso enganoso do compromisso nunca honrado. Esqueceu dos problemas que enfrentou e dos que enfrentaria em sua aldeia, especialmente daqueles que fazem do egoísmo um alimento matinal ou do ódio um calmante para aliviar o coração atormentado. Somente não esqueceu de lembrar que para fazer alguma coisa é necessário superar todos os obstáculos, pois o medo é o maior adversário da igualdade, da liberdade, da solidariedade e da felicidade, pois, como disse, poeticamente, o também propriaense Carlos Ayres de Britto: “feliz é quem nunca desiste de aprender; quando há tantos que só aprendem a desistir.”
Também não esqueceu de que para uma semente gerar bons frutos é fundamental contar com vários outros agricultores, desde que francamente interessados em também transformar a aldeia de Propriá em um grande celeiro de idéias, ideais e esperanças de um mundo mais ético e sólido. Não sem razão convidou a Diocese de Propriá, uma das organizações mais importantes, sérias e respeitada da cidade, para ser a parceira do projeto, destinatária de todos os bens investidos no projeto. Não sem razão escolheu a PETROBRAS, uma das empresas brasileiras mais comprometidas com projetos sociais para intregar a equipe de plantadores.
Tenho certeza que ele, na sua euforia, estava transformando em vida a poesia do poeta português Alberto Caeiro, quando nos encantou com os seguintes versos:
“... O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia...”
Estava Carlinhos a lembrar que a Sociedade Semear, por mais ativa e abrangente que fosse, por mais trabalho e atividade que desenvolvesse e por mais respeito e consideração que tivesse ainda não estava se sentindo completa. É que a Sociedade Semear ainda não tinha arado as terras da aldeia que embalou seu primeiro pensamento, plantado suas sementes socializantes no solo que acalentou seus decisivos passos e irrigou a certeza de que frutos brotariam ao longo do caminho. Quando inaugurado o projeto no próximo dia 23 setembro, o sentimento de amor pela aldeia de Propriá, que fizera brotar de suas entranhas parte dos fundadores da Sociedade Semear, estará plenamente realizado, a convidar outros aldeões a compartilharem da mesma paixão, integralmente, sem ressentimentos ou disputas infantis.


FONTE: CINFORM - Ultima Atualização: 28/12/2010

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