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UM DIA PARA CORRIGIR E ENSINAR
Cezar Britto

Acaba de ser divulgado pelo IBGE o trabalho Estatísticas do Século XX, onde se traça o perfil evolutivo do Brasil durante o século passado, leitura imperdível para aqueles que desejam planejar um país solidário e justo. Dentre os milhares de dados apresentados, chama a atenção o crescimento do número de crianças matriculadas no ensino fundamental, que saiu de dois milhões no ano de 1933, para atingir um número superior à trinta e seis milhões no ano de 1998. Da mesma forma, surpreende a evolução do número de estudantes universitários no mesmo lapso de tempo, passando de vinte e três mil para aproximadamente dois milhões de matriculados.

Antes que se possa dizer que a educação se tornou uma política prioritária ao longo dos anos, é preciso esclarecer que a população brasileira também aumentou numericamente, assim como o seu PIB e a sua renda per capita. Tanto assim o é que continua altíssima a taxa de analfabetismo no Brasil, atingindo, no ano 2000, o absurdo índice de 13,6% de sua população. E olhe que os dados não mostram as condições físicas das escolas, os índices de repetência e de abandono escolar, e ainda consideram alfabetizados aqueles que aprenderam a assinar o nome através do extinto MOBRAL.

Mas, sem dúvida, os dados oficiais demonstram que uma categoria profissional tem se esforçado para tirar o Brasil do atoleiro da ignorância educacional, fazendo nascer a esperança de que um dia todos serão iguais em oportunidade e conhecimento. Falo dos profissionais que fazem do ensinar um verdadeiro sacerdócio, que não deixam esmorecer os seus sonhos de um Brasil justo, embora vítimas de um país campeão em desigualdade social, especialista em concentração de rendas e que, exatamente por saber que a educação é melhor meio de combater a exclusão social, conscientemente deseduca o seu povo. Falo dos educadores brasileiros que ousam, a despeito da baixa remuneração, a estimular e fazer a pacífica revolução pelo saber.

Tem um próprio árabe que bem define este estado de espírito dos educadores brasileiros, confirmando a sua vocação pela doação ao outro, independentemente das condições adversas que lhes são impostas. Diz o provérbio: não declares que as estrelas estão mortas só porque o céu está nublado O nublado céu que impede os brasileiros de receberem integralmente a luz da igualdade, o calor da liberdade e o amor da solidariedade, felizmente para nós, não é suficientemente denso para impedir que os professores brasileiros lutem para que sol um dia brilhe e nasça para todos.

Também não tenho dúvida de que quando este dia chegar, e torço para chegue logo, perceberemos que foram os combativos educadores os principais responsáveis pelo nascimento deste novo mundo. E se algum incrédulo duvidar desta paternidade, procurando um desses programas sensacionalistas que deseducam a cidadania, certamente descobrirá que o resultado do exame do DNA não surpreenderá. Os educadores serão um dos pais do mundo justo e igualitário recém-nascido, serão os pais do filho que não nega a origem genética, pois o mundo que se dá, sem medo de errar, terá a marca paterna da profissão que se deu ao outro.

No próximo dia 15 de outubro, por ser o dia oficial dedicado ao educador, cada um de nós poderia aproveitar para tornar público o reconhecimento da sociedade para com os seus desposados e queridos professores. Além do agradecimento, poderíamos, de quebra, corrigir publicamente uma grande injustiça cometida pelo mundo da propaganda, pois não é o primeiro sutiã o que a gente nunca esquece. São as lembranças dos professores, principalmente o primeiro, que guardamos arquivadas definitivamente em nossa memória, especialmente porque foram eles que nos ensinaram a importância do nascer e do caminhar através do saber.

FONTE: Cinform/Infonet - Ultima Atualização: 28/12/2010

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