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TRANS(A)PARÊNCIAS
Lilian França

Em Transaparências Fábio Sampaio teve a coragem e a ousadia de pichar seu próprio muro.
Acostumado a intervir em espaços públicos o artista cruza as fronteiras e desnuda o micro mundo das relações familiares sem poupar os signos mais pessoais, as lembranças da infância, os objetos triviais, deixando uma trilha de grafites pelas paredes da casa e do próprio corpo,que expõe de forma intestina e complexa.
As nuances do dia a dia metamorfoseiam-se em desenhos, caixas-objeto, tatuagens inusitadas, retratos pessoais, sempre revistos pelo uso de técnicas e materiais recontextualizados.
O elemento gráfico-visual das letras, presentes em intervenções maiores, repete-se no discurso cortante que grafa com sua poesia visual, como caligramas de fácil/difícil decodificação.
Nesse diagrama, cores complementares verde/vermelho/verde sinalizam para a fraca coesão dos limites que são constantemente transpostos num jogo de opostos que traz o de fora para dentro ao mesmo tempo em que dilui a noção de interior, confundindo os acostumados a seguir a lógica do siga/pare.
Quebrar a opacidade da vida entrecortada por panos que velam as diferentes camadas de realidade e ir além das aparências não é uma tarefa simples. Demanda, antes de tudo, uma certa dose de rebeldia, crítica e, mesmo, fúria. Uma fúria que o artista trabalha da maneira menos óbvia e mais sutil, por isso mesmo, tão inquietante, tão forte e tão audaz.
Como quem quer dizer que é preciso cortar a própria carne para mostrar o avesso das aparências.

Lilian França


FONTE: Catálogo TRANS(A)PARÊNCIA - Ultima Atualização: 28/12/2010

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