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Entrevistas

Sociedade SEMEAR - Uma ONG a serviço da cidadania
01/01/2001 - Cézar Britto

Como surgiu a idéia da SEMEAR?

CB – A Sociedade SEMEAR surge da mesma forma em que é concebida a vida. Inicialmente, pinta a paquera, depois o namoro e, no fim, a certeza de que é possível unir pessoas com os mesmos desejos de paixões. Assim está sendo com a SEMEAR, paquerou-se a idéia de que é possível fazer a diferença através da solidariedade. Agora estamos namorando e desfrutando do prazer de poder realmente se fazer alguma coisa e, amanhã, estaremos juntando definitivamente “nossos trapos”, isto é, todas as nossas experiências, utopias e ações no sentido de construir uma sociedade includente, mais justa e solidária. È a pretensiosa idéia que pretende perpétua e ativa, compreendendo que o ato individual só é útil se desejar se coletivizar em busca de parceiros, livre e sem rótulo de propriedade.

Quais os principais objetivos desta ONG?

CB – A idéia básica da SEMEAR é a de plantar cidadania, sem qualquer pedantismo ou idéia preconcebida de que detém o monopólio sobre a verdade. Socializar o conhecimento, defender o livre pensamento, estimular a consciência crítica da cidadania, proteger o meio ambiente, criar e apoiar iniciativas culturais e artísticas, incentivar e incrementar as diversas manifestações populares, que contribuam com a cidadania, são propostas de ação da SEMEAR.

Quem participa e quem pode participar dessa Sociedade?

CB – Qualquer pessoa, física ou jurídica, poderá participar da SEMEAR, desde que compreenda a importância da solidariedade. Eu sempre digo que não se conta um milhão sem começar pelo um. Qualquer pessoa pode ser a número um da idéia que se tornou infinita. Quem sonha, quem age, quem faz, quem quer fazer e ainda não sabe como, qualquer um é bem vindo. SEMEAR é uma tarefa coletiva e para muitas sementes. Hoje, vários operários, artistas, professores, estudantes, aposentados, juízes, advogados, outros profissionais liberais, sonhadores, entidades sociais já têm participado das reuniões que, como coração de mãe, abrigam cada vez mais pessoas.

Você poderia falar um pouco da estrutura física e dos recursos envolvidos?

CB – Embora o elemento humano seja a peça fundamental em todo projeto social, não se pode descuidar do fator físico. Assim, a SEMEAR já nasce com uma estrutura física capaz de atender aos objetivos, já estando construindo a sua sede através de um arrojado projeto do arquiteto Rui Almeida. A sede abrangerá quatro casas interligadas, contíguas e autônomas, com ambientes para instalação de um ponto de encontro cultural e educacional, livraria, biblioteca virtual, galeria de arte, salão de exposição, auditório, salas de aula(quatro), com capacidade para abrigar 240 alunos, estacionamento e, futuramente, um teatro moderno, com capacidade aproximada de 400 pessoas, com área já reservada, também integrando o mesmo ambiente.

Desde quando a ONG vem desenvolvendo suas atividades? O que já foi feito e o que vem pela frente?

CB – Quando ainda não estava devidamente registrada, as atividades foram desenvolvidas pela Advocacia Operária, a exemplo de patrocínio para edição de livros, CD(Grupo Musical Lacertae e Coral Canarinhos), excursões culturais, seminários, festivais, cordéis, cursos e vários projetos sociais, como a Casa Operária do Vale do Cotinguiba, que tem como objetivo implantar cursos técnicos e de cidadania na região de abrangência, além de atividades culturais, evento cultural em Propriá que comemorou os 200 anos. Já estão em andamento projetos educacionais, como a alfabetização de trabalhadores da construção civil, com inclusão de matérias de direito e cidadania, além de cursos de especialização de gestores públicos, professores de informática e cursos de reforço para os alunos das escolas públicas. Na parte cultural está se discutindo o apoio a vários projetos, além da realização de uma exposição internacional.

Já foram realizadas algumas reuniões para discussão de estratégias de ação para a SEMEAR, uma delas contou, inclusive, com a presença de Fernando Portela, presidente do Instituto Cultural Cidade Viva uma ONG do Rio de Janeiro. Que experiência puderam ser trocadas nesses encontros? O que poderá ser adaptado à realidade local?

CB – Aprender com a experiência alheias é um método fantástico, por isso tem sido importante a ajuda que o Sebrae de Sergipe tem fornecido à SEMEAR, com a sua visão moderna sobre a cultura. Através do Sebrae se pode conhecer o programa Empreendedor Cultural e seus organizadores, o que tem contribuído para adaptar nossos projetos a uma visão mais real da atividade cultural. Os acertos e erros são para ser estudados, nunca desprezados.

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